Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras...
Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.
Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras...
Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.
Aprendeu a dar menos importância. Aprendeu a não deixar o coração apertar por qualquer coisa. Aprendeu que desilusões não matam e que para as evitar basta não criar expectativas. Aprendeu que não se pode obrigar ninguém a dar, e ainda menos a receber. Aprendeu que não tem que correr atrás de tudo ou todos. Aprendeu que dizer não é necessário e que as vontades dela também têm valor. Aprendeu a sorrir, e a rir, sem se culpabilizar. Aprendeu a fazer tudo por ser feliz, em vez de fazer tudo para ver feliz.
Há quem lhe chame crescimento, maturidade ou até egoísmo. Mas visto que ela agora pouco quer saber da opinião alheia, ela acha-se simplesmente no caminho certo, mais certo que nunca.
Tu, que dizes sempre "este ano é que vai ser"... e foi. E desta, tens a certeza que foi diferente.
Foi um ano cheio de emoções, muita mas mesmo muita luta, contigo, com os outros, pelos outros.
Foi um ano que sem dúvidas nenhumas te mudou e mudou a tua vida para sempre.
Foi um ano que te ensinou a toque de pancada, e que te feriu irremediavelmente. E se há feridas que nos mudam não é ?...
Este ano foi sem dúvida diferente. Hoje sabes o que amas, a quem amas, o que queres e o que permites. Por uma vez sabes o que queres... tu, que sempre disseste saber o que não querias.
Hoje sentes-te mais completa, mais madura sem perder a coragem infantil que te permite não te perderes. Mas mais pesada também. Porque andas com esse passado às costas? Se hoje sabes o que é importante para ti, o que te leva para a frente e finalmente decidiste que queres andar para a frente...?
Viveste, sim.. sofreste, foi um ano macabro... e aprendeste, valha-te isso. Nao achas que está mais do que na hora de agarrar a aprendizagem e largar tudo o resto?
Este ano foi sem dúvida diferente, este ano permitiu-te encontrares o teu lugar. Não o percas de vista.
E quando baterem as doze badaladas enche o peito de ar, enche-te de coragem, enche-te de amor e não olhes mais para trás.
Raramente me dizes que me amas, raramente me dizes que me adoras, mas a cada abraço eu sei que o teu coração se enche por me ter perto de ti. Raramente me mostras o quanto me queres aí , é de família, parece, esse escudo que criaste e que eu compreendo tão bem, mas que está difícil de quebrar.
E hoje, logo hoje, que ando carente do teu mimo como um bebé precisa da mãe, ou eu em criança precisei de ti. Logo agora que te preciso como há anos te preciso porque a criança foi mas a necessidade de ti ficou. Logo hoje, me vens pedir desculpa por uma ninharia de nada e me sacas de um "tivémos tantos anos separados que não quero que te chateies comigo outra vez". E foi a forma mais subtil, linda e poderosa de me mostrares que me amas.
É muito amor, é muita compreensão, é muita prova superada, é muita luta o que nos caracteriza. Foram muitos anos separados, mas só quem ama muito poderia hoje, logo hoje, sentir que nada foi perdido, que nos recuperámos, que nos temos como se nunca nos tivéssemos separado.
Sei que tens medo, sei que a ideia de estares enganado a meu respeito ainda te persegue, sei que os anos "chateados" deixaram mazelas, e que me amas mesmo se não mo dizes. E tenho a mais plena consciência, como to disse hoje, logo hoje, que o melhor desta minha aventura de emigração, foste tu, fomos nós, foi recuperar o teu amor e ter a tua presença na minha vida.
Esta lagrima ainda cai, mas hoje, logo hoje, cai por sentir o coração cheio, por me sentir realmente uma cheia de sorte. Sempre ouvi dizerem "tens mais sorte que juizo"... e talvez não estivessem de todo enganados. E hoje, logo hoje, não quero deixar nada por dizer. Se houve algo que eu aprendi foi a nao deixar mais amor por mostrar, não se sabe o dia de amanhã, e eu não quero correr de novo o risco de não to poder dizer, mostrar, fazer sentir. De não chegar a tempo.
Logo hoje, que sabes que outra separação nos espera em breve, quero que saibas que nunca mais te largo, esteja a 5 ou a 2000 km's, durante o tempo que for, hoje, estamos reunidos, estamos unidos, estamos gratos pelo que a vida fez por nós e nada me tira da ideia que se o destino me mandou por aqui foi para me trazer até ti.
Foste a melhor coisa que me aconteceu na minha passagem pela Suiça. Amo-te Pai.