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Miss Gemini's Blog

Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras... Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.

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Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras... Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.

Deslocada

Cresci a acreditar que a familia tem o direito de nos faltar ao respeito. Que viver a gritar é normal. E que quando alguém está triste todos têm que estar. Cresci a dividir o meu quarto de onde se entrava e saía sem nenhum aviso, zero privacidade. Cresci a ver que bater era frequente, que quando os adultos discutem nós é que temos que sair, e que todos temos o direito a dizer o que quisermos, principalmente da vida dos outros.

Sempre me senti deslocada, enquanto repetia os comportamentos que via para tentar descobrir o que me fazia sentido.

Alguns deles enraizaram-se (infelizmente), com outros nunca tive afinidade.

 

E hoje continuo a sentir-me deslocada numa sociedade onde o dinheiro comanda a vida e é motivo para passar por cima de qualquer um. Onde o respeito ja nao mora. Onde os principios raramente se defendem. Onde se chora porque alguem nao repostou um stories. Onde relações acabam por falta de uma mensagem de boa noite. Onde ser casado passou a ser cativante. Onde estar parado em silencio 2h no meio do mato a fazer NADA é meio alucinado. Onde se vive para trabalhar e reclamar do transito. Onde se descarta mais depressa uma amizade do que uma fatia de pizza no frigorifico. Onde se toma comprimidos para obrigar a maquina a continuar a trabalhar bem acima das suas capacidades.

Nao me enquadro.

Eu acredito no "nao julgarás" apesar de nao acreditar em Deus. Acredito no "perdoa os teus inimigos" e no "amai-vos uns aos outros". Acredito que todos conseguimos viver uma vida mais feliz aplicando algumas diretrizes da biblia.

Tento lembrar-me frequentemente de que nao valemos nada, somos carne que morre e apodrece, sem aviso, e a vida seguirá como se nada fosse. Que nada acabará quando acabar para mim. E daí penso: isto é uma peça de teatro sem ensaios, vamos fingir que é um ensaio e não levar tudo tão a serio. Se correr mal, eu tento de novo, o que de pior me pode acontecer?

Confesso que penso assim agora, depois de perder a minha mãe, depois de perceber o quanto nao valemos nada e temos o tempo contado.

Porque às vezes tudo o que preciso é de um picnic na mata com os que amo. Um abraço silencioso e apertado quando chego a casa. Uma tarde de mimos com o meu gato. Um telefonema de 2h onde posso ser eu mesma e me sentir amada por isso.

A base, acredito eu, é o AMOR. Ou deveria ser.

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