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Miss Gemini's Blog

Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras... Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.

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Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras... Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.

Dia da mãe 05.05.2024

Estava a escrever sobre ti, e quando escrevi que tenho saudades tuas fui atropelada por um vazio indescritível. O mesmo vazio que cada vez que bate eu me distraio com qualquer coisa e me recuso a processar. O mesmo vazio que me bloqueou as emoções. Há 5 anos.

Entre o escrever e me aperceber do sentimento da falta que me fazes, há uma linha tênue. O meu coração não consegue aceitar que nunca mais te verei. O meu cérebro ajuda-me a tentar pensar noutras mil coisas até tirar o foco do vazio.

Tenho tantas saudades tuas que parece mentira. Tenho tantas saudades tuas que me traz desespero, se me permitir senti-las. Sei que preciso abrir estes portões que o vazio me trouxe. Sei que estou cansada de me sentir numb, fria e pouco empática. Esta não sou eu, mas tenho sido.

Não consigo lidar com o facto de nunca mais sentir o teu abraço, ver o teu sorriso envergonhado. Não consigo lidar com o facto de ter saído do teu lado uma garota, e não ter mais a oportunidade de te conhecer sendo adulta, com esta maturidade, com esta visão da vida que tenho hoje. Tenho tantas perguntas, sinto que te conheço tão pouco.

Tenho tantas saudades que parece surreal. Convenci-me que isto era uma fase. O luto é uma fase. O tempo ajuda, dizem eles. Ou não dizem mas eu acreditei porque era a única forma de conseguir não me juntar a ti. Dizem-me que faz parte do luto sentir-me assim, ainda. Para não querer apressar o processo, para ter paciência. E tudo o que eu quero é chegar ao ponto em que me sinto grata por te ter tido e aceito o destino. Em que consigo acreditar que estás a olhar por mim e que por isso te mostro o meu melhor. Mas parece-me tão distante este ponto. Parece-me tão improvável. Sinto-me até a andar para trás.

Quando o cancro apareceu, prometi-te que 'enquanto lutares eu luto contigo'. E lutámos, como guerreiras. Só não pensei no que faria se mesmo assim o cancro ganhasse, a luta acabasse, e me deixasse sem ti. Foste tu a minha força, e agora dedicar essa força a mim mesma está foda! Não penses, por isso, que não foste um exemplo de força e garra. Foste! Foste mesmo! E talvez por isso seja difícil tirar de dentro de mim a ideia de que de nada vale lutar, pois a ti de nada valeu.

Love you mum, um dia ainda te vou voltar a deixar orgulhosa, prometo não desistir. E espero conseguir cumprir esta promessa como cumpri as outras.

Happy mother's day.

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