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Miss Gemini's Blog

Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras... Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.

Miss Gemini's Blog

Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras... Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.

Só aos outros

Não deixa de ser engraçado como nós não conseguimos ver-nos em certas situações, right?

Dou-te um exemplo. Quando decidi que ia mudar o corpo que nao me agradava, comecei a treinar e a alimentar-me "segundo o plano". Perdi 6kg, estava a gostar dos musculos a aparecer, o corpo a definir, e a sensação de ter a disciplina necessaria para isso. Ja tinha feito mil e uma coisas e desistido de outras mil. Mas nunca tinha enfrentado o caminho mais dificil. Estava feliz.

A minha mae adoeceu, faleceu e eu perdi mais 9kg. Durante esse tempo, e apesar de saber que essa perda de peso era mais emocional do que intencional, eu continuava a ver-me gorda e por isso nao via nisso um problema.

Um dia nao gostei do que vi ao espelho. Estava com 44kg, sem energia para treinar e tudo o que se via era ossos. Percebi que se calhar todos à minha volta tinham razao, eu estava demasiado magra. Mas nem por um segundo me passou pela cabeça que estaria anoréxica. 

Um dia numa conversa com uma amiga falavamos sobre isso. Foi a unica vez que falei de tudo o que senti ao longo do processo, e que nao me reconhecia anoréxica porque eu nao me obrigava a comer pouco, eu aproveitava que nao tinha apetite. E ela respondeu-me "nenhuma anoréxica reconhece que o é, right?"

Bateu-me que nem bomba. Ela tinha razão. E eu tinha que recuperar. Como é que eu nao vi? ...

Se pensares bem, ha varias situações (demasiadas por vezes) em que tens ideias formadas e nao as reconheces quando se passam contigo. Porque quando se fala de relacoes toxicas não dizem o quanto nascisistas sao cativantes e envolventes. Só se fala do quanto ele nao faz nada para te ver, mas nao falam das mensagens diarias a dizer que te ama e que tem saudades tuas. Ou que beber um copo por dia pode ja ser um problema. Ou que nao conseguires dormir sem ver porno não é normal. Achamos que situacoes dessas que acontecem aos outros e que vemos nas redes sociais são fases negras e facilmente identificáveis, mas não são. 

É por isso que defendo sempre o mesmo exercício. Falar! Falar em voz alta o que se passa. Dizer como se contasses a tua história a uma amiga (se a tiveres, melhor!) mas fala, diz, ouve-te. Por vezes só quando dizemos algo em voz alta percebemos o que estamos realmente a viver. Os fatos, sem as emocoes que nos atrapalham. Conta-te ao espelho aquela situação que te incomoda e imagina que conselho darias se fosse uma amiga a contar-te aquilo. 

A nossa mente é fascinante e geralmente encontra sempre forma de confirmar as nossas ideias e pressupostos. Não te deixes enganar...

Há um ano

Há um ano estava a caminho da Suíça. Tinha a vida virada do avesso e o desanimo corrompia todas as minhas ações. So queria fechar-me do mundo e dormir.
Estava a caminho para ir ver o meu pai, madrasta, irmã e amigos. Estava a caminho do meu porto seguro após a morte da minha mãe. E hoje envergonho-me do desespero que me deu no dia da viagem e que quase me fez ficar por terra. Lembro-me de fazer a mala em piloto automático, como se nem refletisse no que estava a fazer. E no dia da viagem, assim que entrei no autocarro, chorei o caminho todo até Lisboa. Parecia que todas as minhas energias lutavam pela inércia. Na minha cabeça só pairava o "não quero ir, não quero fazer isto, não quero aeroportos, aviões, viagens de carro intermináveis, não quero". Sabia que não era pelo destino, se desse para estalar os dedos e estar lá, eu não hesitava. Era todo o ritual da viagem.

Quem me conhece sabe que amo viajar, adoro o pré, o durante e o após. E naquele momento eu simplesmente não parecia eu. Cheguei a Lisboa, fui a casa de amigos que me levariam ao aeroporto e lembro-me de chorar em desespero porque não conseguia ir, não tinha energia, não queria. Quase confundi o meu desanimo como um mau pressentimento e cheguei a pensar como seria dizer ao meu pai que afinal não ía ao seu aniversario.

A depressão tem destas coisas, faz-nos perder momentos unicos e inestimaveis. Assim como a emigração. Já experimentei os dois.

Apesar de me envergonhar da minha quase decisão, hoje aceito-a com carinho por tudo o que passei. E felizmente aqueles eram verdadeiros amigos que me incentivaram (leia-se quase obrigaram) a ir, mesmo com medo, mesmo em desespero, pois assim que lá chegasse estaria melhor do que cá. Agradeço-lhes sempre que me relembro disto.

Há um ano a minha vida estava um caos, hoje as coisas seguiram o seu rumo e a poeira assentou. Não estou mais feliz do que naquele momento, mas estou mais calma, comprei casa, encontrei o meu gato, e tento todos os dias não me deixar abater pelo desânimo.
Se sonho com o futuro? Não. Se me entusiasmo com o que antes me fazia vibrar? Também não. Mas se um ano mudou tanta coisa, escolho acreditar que se calhar preciso de mais um ou dois. E assim levo a vida, um dia de cada vez, um desespero de cada vez, uma crise de choro de cada vez, desde que hajam sorrisos à mistura.

Acordar

Somos falhos, e cegos aos nossos defeitos.

Não é fácil nem frequente termos a capacidade de ver os nossos erros padrão. Exatamente por serem padrão, agarramo-nos à ideia de que fazem parte de quem somos e portanto têm que nos aceitar assim. Reconhecemos bem as falhas nos outros, mas dificilmente em nós. 

Existirá irremediavelmente um momento em que separamos o que queremos do que é. Ganhamos uma visão fria e realista, e vemos o que é,  e nao o que poderia ser. E acabamos avaliando a nossa vida como ela é, como ela está, sem arranjar desculpas para o seu estado, sem arranjar circunstancias que ainda nao aconteceram, sem adiar a realidade. É aí que vemos os nossos padrões. 

Se andamos a tentar algo ha anos e ainda nao se concretizou, é muito provável que estejamos a fazer algo errado, é muito provavel que o problema venha de nós. 

Foi quando parei para olhar para a minha vida, naquele minuto, sem pensar no passado e no que me levou ali, ou no futuro, que vi alguns erros que venho cometendo sem me aperceber.

A celebre frase do "estarão sempre (todos) os outros errados? Ou serei eu?

O mal nao estava nas pessoas com quem me cruzava, nem no emprego que tinha. O problema estava em mim e em todas as escolhas que fiz enquanto andava à deriva, na busca por prazeres e recompensas momentâneas. Eu nao sabia quem queria ser, o que queria para a minha vida... como poderia tomar boas decisões? Era mais facil queixar-me e atribuir à vida todas as culpas. Convenci-me que tinha dificldade em fazer amigos quando na verdade optei por emigrar e acabei sentindo falta das minhas "velhas" pessoas. Convenci-me que nao encontrava homens que prestassem, quando na realidade ela uma dependente emocional imatura que nao tinha a oferecer a relação que queria receber. Convenci-me que seria mãe quando encontrasse a pessoa perfeita e que tinha tempo, mas nunca me permiti comprometer-me com alguém a esse ponto.

Se as pessoas sempre nos desiludem, talvez o problema seja as nossas expectativas, talvez estejamos a ver a vida rosa demais e a esperar demais dela, talvez até seja a nossa maneira de ser e agir que leva as pessoas a desiludirem-nos.

Eu nao posso querer estabilidade, se passo a vida a trocar de casa ou de trabalho ou de país. Eu nao posso querer alguém para a vida se nao a respeito e aceito como ela é. Eu nao posso querer ser amada se nao sei amar incondicionalmente. Eu nao posso querer filhos nova se nao me permito crescer.

Se eu tivesse refletido sobre quem realmente sou - e nao quem gostaria de ser - teria percebido onde andava a errar e qual direção seguir.

Felizmente percebi agora, ouvi dizer que ha quem nunca perceba! Agora sei para onde quero ir, e apesar de saber tambem que a vida vai mudar e a direção vai ter que se ajustar, pelo menos tenho uma base para tomadas de decisões, nao ando à deriva.

Acordei.

Por mais mulheroes

Achava eu que em 2021 ja não viveria a celebre "trabalhar com mulheres é horrivel".

Achava...


A verdade é que vivo tão bem rodeada, de Mulheroes tão maduras, empaticas e com bom fundo, que nem me apercebo que não são todas assim.

Uma das principais caracteristicas que eu amo nas minhas mulheres é de nao verem maldade em tudo. Nao me fodam... um ser humano que nao tem maldade em si nao vê maldade nos outros ao primeiro julgamento. Nao vê. Nós espelhamo-nos no outro e reconhecemos as caracteristicas que nós também temos. Sao seres leves, que em qualquer situação, primeiro tentam entender e depois entao julgam. Nao somos ingenuas ou burras, sabemos o que por aí existe, mas, à priori acreditamos no melhor das pessoas. Um esquecimento pode ser so um esquecimento e não um ato propositado para me tramar.

Outra boa caracteristica, ligamos o filtro 90% das vezes. Nao procuramos pagar na mesma moeda ou brandar ao mundo os erros de alguém. As pequenas coisas passam ao lado, na maioria das vezes nem chamamos à atenção à pessoa que deveriamos.

Nao temos ciumes umas das outras. Ficamos contentes com as vitórias. Elogiamos com sinceridade. Nao espalhamos boatos.  E nao damos grande confiança a quem nao está na mesma vibe. É energia desperdiçada (e pelo menos eu, ja tenho tao pouca 😅).

Sei que muitas mulheres vao ler isto e nao vao perceber, nao vao entender o nivel de psicose em que vivem as mulheres más e mesquinhas, que acham que o mundo gira à volta delas e tudo é uma afronta. Qualquer coisa que lhes dizemos elas recebem como critica, absolutamente tudo!

Podia ligar estes comportamentos à imaturidade, à quarta camada da personalidade do ser humano, mas infelizmente, alem disso está ainda muito presente a mesquinhez e maldade gratuita entre as mulheres. Ainda ha quem pense que so sobe se descer os outros (o que nao é mentira quando as proprias capacidades são medíocres). Ainda ha quem ganhe o dia a fazer mexericos e falar da vida dos outros, só porque sim. Ainda há quem viva por teams, nós contra elas,  ainda que nao haja rivalidade nenhuma. Parece uma necessidade para lhes dar sentido à vida. Um dia sem falar mal de outra mulher, nao é dia.
Se vos disser que algumas chegam ao emprego com um brilho nos olhos como se estar ali perante a oportunidade de cuscuvilhar é a unica coisa interessante do seu dia, acreditam?

Destas mulheres... tenho pena. Honestamente, é impossivel ser feliz naquele cerebro. So espero que os tempos continuem a mudar e haja cada vez mais mulheroes felizes e bem resolvidos, e menos ratas de agua.

É inevitável

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É inevitável.
Aquele momento em que te sentes mais madura e pensas em todos os disparates que fizeste. Acabas por dizer "se fosse mais madura na altura, não teria lidado assim com aquilo".
É inevitável.
E nesse momento quero que penses numa coisa: se nao tivesses lidado assim com aquilo, nao terias a maturidade que tens hoje.

Foi por sofreres como sofreste que cresceste. Foram todas as tuas decisoes e consequências que te mostraram o que nao querias manter na tua personalidade, e a capacidade de te moldares ao teu melhor Eu. Foram as cacetadas sucessivas que te mostraram que tinhas que te fortalecer para nao continuar constantemente a cair.

Há quem te fale da existência de dois polos. A eterna apaixonada que vive tudo a mil e se entrega a pés juntos. E a fria que nao se permite amar.
Deixa-me dizer-te algo que mudou a minha vida: há um meio termo. Ha uma mulher capaz de amar com muito sem usar o outro como muleta. Ha uma mulher que se sente forte ao ponto de nao precisar de ninguém, mas que escolhe com todas as vontades e apesares dividir o seu tempo (e o seu ser) com alguém. Ha uma mulher com a certeza de ser capaz de lidar com medos, fins e abandonos, apesar de nao os querer, nem os evitar.

Tu podes amar com tudo mas nao precisar dele/a. Tu podes dar o melhor de ti sem a motivação de receberes em troca. Tu podes entregar-te sem medos porque sabes que se correr mal, tu aguentas! Porque quando conseguires amar assim, sem condições, vai ser claro para ti quando algo te serve ou nao. Nao pelo que dizem, avaliam ou julgam os outros, mas porque tu vais saber o que faz ou nao sentido para ti; o que te faz, ou nao, vibrar.

É inevitável crescer, e ainda bem!

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