Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Miss Gemini's Blog

Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras... Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.

Miss Gemini's Blog

Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras... Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.

Vai passar.

E porque nem só de dores nascem textos, hoje sinto a necessidade de te escrever sobre bênçãos. Podes pensar que escrevo porque tenho uma vida melhor que a tua, porque tenho menos problemas que tu ou porque não imagino o que tu passas. E a verdade é que não imagino, não consigo sentir as tuas dores e angústias, mas como todos nós, sinto as minhas. E é exatamente por ter passado momentos de desespero, em que não via a luz ao fundo do túnel, em que pensava que nunca mais ía ver um sentido na vida ou um motivo para ficar que te escrevo hoje.

Quero dizer-te, deste lugar de fala que só experienciou o meu, que vai passar. Andes assim há um mês, ou dois anos, vai passar. Vais voltar a ver a beleza nas pequenas coisas, vais voltar a sentir entusiasmo e esperança, vais voltar a dar o melhor de ti ao mundo. Vais voltar a conectar-te contigo e a sentir-te grata por cada momento bom, e, quiçá, cada lição que a vida te colocou no caminho.

Mas também me sinto na obrigação de te falar com verdade. Não vai passar sozinho. Vais ter que fazer a tua parte, e eu sei que neste momento podes não fazer ideia do que fazer para sair desse estado de desesperança. Estás a ler este texto, como provavelmente já leste milhares de outros, e a questionar-te 'ok, e como é que eu faço isso? Onde está o botão para sair desta angústia e voltar a sentir-me eu?' e tudo o que te posso dizer é do mais clichê que já ouviste.. é nas pequenas coisas.

Primeiro da-te tempo para te sentires confortavel no desconforto, não procures pensos rapidos, distrações. Permite-te sentir o que te anda a pesar. Enquanto não encarares essas emoções de frente, elas não vão embora. Vive a tristeza, a angústia, a desesperança. Questiona porque aí está. Aceita-a dentro de ti como parte de ti, mas não como o todo. És todos os sentimentos do mundo, os bons e os maus, nenhum deles te define mas todos moram em ti, e ainda bem que assim é. Permite-te sentir.

Neste processo afasta-te, ainda que temporariamente, de quem não te faz bem. De rotinas que em nada te acrescentam e te sugam.

Depois, começa aos poucos, em pequenos gestos. Começa por praticar a bondade, dá uma esmola, ajuda alguém que precise de ajuda, esforça-te por sorrir ao senhor do café, dá um elogio a alguém. Aproveita e opina menos, ouve mais. Depois cuida mais de ti, acrescenta um copo de água em jejum, tira 10min por dia para fazer uma rotina de skincare, inclui frutas na tua alimentação, faz uma caminhada uma vez por semana.. o que te fizer sentido, escolhe uma e esforça-te por cumprir, antes de juntares outra para não te assoberbares. Pequenas coisas, o que se encaixar no teu estilo de vida, para que comeces a sentir que estás a querer cuidar de ti. Trinta minutos por dia só para ti, se formos sinceros, não é nada em 24h que todos temos.

E se conseguires, lembra-te do que pedias ao universo há 5 anos, 3 anos, 1 ano.. quantas coisas se realizaram? Foca-te nelas. Quando estavas doente e só pedias saúde. Quando um familiar adoeceu e só rezavas para que melhorasse. Quando o dinheiro escasseou e não pudeste ir de férias. Quando ficaste sem um sítio certo para viver e ansiavas pelo teu cantinho. Quando te sentiste sozinho e pediste por uma amizade verdadeira. Consegues ver essas bênçãos hoje? Se calhar nem todas te farão sentido mas procura aí as tuas. E aprecia mais o que tens e menos o que achas que te falta. Porque se a vida acabar amanhã, o hoje é tudo o que te resta, e quer seja bom mas não o consigas ver, ou mau e te custe a aceitar.. o hoje é tudo o que te resta. Uma coisa eu posso garantir, vai passar. Vais voltar a sentir-te melhor, como aconteceu todas as vezes que achaste que era o fim.. e não foi! 

 

Términos

Uma das coisas que dói quando finalmente ganhas força para sair daquela relação que tanto te magoa é o facto de ganhares vergonha de contar as coisas que tu permitiste que te fizessem. Isto é amadurecer, também, e é doloroso.

Quando deixas de querer apontar o dedo, falar no que o outro te fez, as formas como te desrespeitou e maguou, porque percebes finalmente que isso diz mais sobre ti do que sobre o outro. Como é que tu aceitaste tudo aquilo? Onde estava o teu amor e respeito por ti mesma? Que valor tens tu aos teus olhos para permitires que alguém te trate assim?

E não digo que não aproveites para te tirar do pedestal e assumir as tuas próprias falhas, ninguém é perfeito, e se achas que não erraste em nada, é muito provável que estejas enganada. Narcisistas e tóxicos existem, mas são uma minoria.

Agora que sabes que nem tu te deste o devido valor, vais ter que acolher essa versão tua que errou, até para contigo mesma, e ajudá-la a não te trazer ressentimentos. Vais ter que aprender a amá-la e aceitá-la porque faz parte de ti. Principalmente porque queres seguir outro caminho de coração leve, sabendo que és falha mas tens muito valor.

Então queixar-se e vitimizar-se torna-se vergonhoso, pela consciência que ganhamos de que fomos nós que o permitimos. As conversas ficam mais centradas nos outros, porque em nós ainda está tudo despedaçado. A rotina fica mais solitária porque o silêncio é mais confortável do que fingir que está tudo bem. E com o tempo o coração vai-se curando, não com pensos rápidos gentilmente cedidos por outros, mas por te dares tempo de seres, estares, te redescobrires sem máscaras, sem muletas.

Quem és tu? Do que gostas e do que não gostas? O que queres para ti? Quais os valores que regem a tua vida? Tens servido os que mais amas na vida? Tens aproveitado o tempo com os teus? Tens o teu pé de meia? Que tipo de pessoas queres atrair para a tua vida? E quem tens de ser para atrair esse tipo de pessoas? Serias uma mais valia na vida deles? Porque te sujeitaste a tanto? Qual o vazio que tentas preencher?...

E assim, se vai curando um coração, com dias menos maus que outros, tentando não deixar o medo e as distrações ganharem e fazendo conscientemente a escolha de quebrar um ciclo e trabalhar para que o caminho se faça com mais confiança. E com muito mais amor.

Dia da mãe 05.05.2024

Estava a escrever sobre ti, e quando escrevi que tenho saudades tuas fui atropelada por um vazio indescritível. O mesmo vazio que cada vez que bate eu me distraio com qualquer coisa e me recuso a processar. O mesmo vazio que me bloqueou as emoções. Há 5 anos.

Entre o escrever e me aperceber do sentimento da falta que me fazes, há uma linha tênue. O meu coração não consegue aceitar que nunca mais te verei. O meu cérebro ajuda-me a tentar pensar noutras mil coisas até tirar o foco do vazio.

Tenho tantas saudades tuas que parece mentira. Tenho tantas saudades tuas que me traz desespero, se me permitir senti-las. Sei que preciso abrir estes portões que o vazio me trouxe. Sei que estou cansada de me sentir numb, fria e pouco empática. Esta não sou eu, mas tenho sido.

Não consigo lidar com o facto de nunca mais sentir o teu abraço, ver o teu sorriso envergonhado. Não consigo lidar com o facto de ter saído do teu lado uma garota, e não ter mais a oportunidade de te conhecer sendo adulta, com esta maturidade, com esta visão da vida que tenho hoje. Tenho tantas perguntas, sinto que te conheço tão pouco.

Tenho tantas saudades que parece surreal. Convenci-me que isto era uma fase. O luto é uma fase. O tempo ajuda, dizem eles. Ou não dizem mas eu acreditei porque era a única forma de conseguir não me juntar a ti. Dizem-me que faz parte do luto sentir-me assim, ainda. Para não querer apressar o processo, para ter paciência. E tudo o que eu quero é chegar ao ponto em que me sinto grata por te ter tido e aceito o destino. Em que consigo acreditar que estás a olhar por mim e que por isso te mostro o meu melhor. Mas parece-me tão distante este ponto. Parece-me tão improvável. Sinto-me até a andar para trás.

Quando o cancro apareceu, prometi-te que 'enquanto lutares eu luto contigo'. E lutámos, como guerreiras. Só não pensei no que faria se mesmo assim o cancro ganhasse, a luta acabasse, e me deixasse sem ti. Foste tu a minha força, e agora dedicar essa força a mim mesma está foda! Não penses, por isso, que não foste um exemplo de força e garra. Foste! Foste mesmo! E talvez por isso seja difícil tirar de dentro de mim a ideia de que de nada vale lutar, pois a ti de nada valeu.

Love you mum, um dia ainda te vou voltar a deixar orgulhosa, prometo não desistir. E espero conseguir cumprir esta promessa como cumpri as outras.

Happy mother's day.

Sobre acolher (e não só)

Já te questionaste se, também tu, tens dificuldade em acolher?
Eu questionei. E percebi que quando penso na palavra, custa-me a vir à ideia formas de acolher ou ser acolhida. Percebi que não sei acolher, que o meu impulso é tentar resolver, acabar com o sofrimento da pessoa. Quando na realidade, acolhimento é tudo o que uma pessoa em sofrimento precisa.

Logo me veio à ideia, que nunca aprendi a acolher. Não é como se me tivesse esquecido de como se faz, eu nunca soube. Raramente me senti acolhida, e geralmente sentia necessidade de resolver para que o bom ambiente voltasse a casa ou tornar-me invisível para não ser mais um peso. Nunca aprendi a acolher, e hoje, felizmente, aos 38 anos, tomei consciência disso, e decido então que vou focar-me em aprender. Aprender a ser mais empática, a reagir mais em amor e compreensão, a acalmar os impulsos de 'fight or flight' porque, agora, eu já construí o meu lugar seguro.

Vale te questionares se o que te ensinaram em criança, e que, provavelmente procuras agora em adulto é realmente o que te satisfaz. Queres que te apresentem soluções ou que te acolham? Às vezes achamos que queremos algo porque não conhecemos melhor.

Espero que esta reflexão te possa ajudar.

Caí

Caí, malta.
Caí, e caí a sério. E porque sinto que não se fala o suficiente nisto, vou falar. Mas antes de me leres, tem em consideração que este é uma das partilhas mais vulneráveis que já fiz.

A última vez que me senti no abismo e a depressão me engoliu, os sentimentos principais eram pânico, desespero, negação, dor e tristeza. Era luto.

Eram demasiadas emoções, demasiado intensas, por um período demasiado longo. Era o desespero de querer sair da minha mente que eu não conseguia calar. Era uma dor emocional que se sentia fisicamente.

Mas nos altos e baixos do luto, lá aparecia de fininho a esperança em dias melhores ou um sorriso sincero inesperado e depois da medicação me acalmar a mente, chegou a haver dias mesmo bons.

Mas aquela dor tinha-me mudado e eu não sabia se gostava desta nova Sofia. Sentia-me assoberbada com a pressão da vida, ganhei vergonha de me dar conhecer quando nem eu mesma sabia quem era. Senti que não podia permitir que mais ninguém me magoasse e para ninguém me magoar eu tinha que deixar de ser vulnerável e disponível. Apaguei as redes sociais, rejeitei convites, parei de me expor e isolei-me na minha bolha. E sem me aperceber, aqueles dias mesmo bons e ocasionais, deixaram de existir. Porque nessa bolha faltou amor próprio e auto estima. Nessa bolha faltou compreensão e amor. E de tanto querer calar as emoções más, calei-as todas.

Calei a dor, o desespero, a ansiedade e, vê bem, até a medicação consegui deixar. Tudo indicava estar melhor. As crises de pânico são raras e a ideia de suicídio não está mais tão presente. E porque digo que cai a sério agora, então? Porque agora não há nada que eu sinta, não há nada que eu decida, não há rumo que eu veja. Tornei-me um vegetal a viver ao sabor do que a vida traz, sem vontades ou promessas. Aceitei que a vida será isto, e só isto. Vazia. E se escrevo isto aqui é para me obrigar a reconhecer em que ponto estou, já que até isso eu calei. Agarrei-me a todo o tipo de distrações (prejudiciais , outra coisa que não reconheço em mim), começo coisas que nunca acabo, crio objetivos que não duram 24h. Não me comprometo com nada para não falhar, e evito, ainda assim, todo o tipo de raciocínio que me tire de onde estou. Deixei de me sentir boa companhia, acreditei que os meus demónios ganharam. Deixei-os ganhar.

Há quase um ano que me deixei cair sem me aperceber. Há quase um ano que me minto a dizer que assim não está mau. Há quase um ano que não me reconheço. Agarro-me ao supérfluo para evitar a verdade.

Não é mais uma questão de sair da bolha e começar a viver, porque não é viver quando nada te traz prazer ou satisfação. Logo eu, que me encantava com os detalhes, desencantei-me da vida no seu todo. Não me sinto capaz, não me sinto forte, nem fisica nem emocionalmente e evito a todo o custo conversas difíceis e pensamentos intrusivos. Sinto que vivo contra a minha intuição e não consigo ouvir nem a razão.

Se há uns tempos a minha motivação para cá estar era as pessoas que amo, hoje o que me mantém aqui é a falta de coragem de ir embora. Já nada importa, já nada vale o esforço e todas as minhas crenças e valores foram ficando para trás.

Uma mente doente num corpo fraco. Uma vida sem sentido que nunca mais acaba, mas que não me traz desespero. E fui achando que isso bastava, que já não era mau.

Mas é. Porque uma parte lutadora em mim ainda me diz que a vida deve ter mais para oferecer. E tem. Para quem, ao contrario de mim, está aberta a essas experiências. Hoje vejo que me anulei de tal forma que é impossível acreditar que sou alguém de valor. E como pode alguém deixar-se amar se não se tem em boa conta? Como pode alguém usufruir de boas relações se não se doa?

O meu corpo une-se à minha mente e ambos gritam para que eu saia deste estado de apatia e conformismo. "Tu não eras assim" é o que ouço todos os dias e abafo com um novo livro, 3h no tiktok ou chás para dormir o mais cedo possivel.

Achar as respostas para o que quero do futuro, para que trajeto eu quero seguir, não é prioridade. A luta agora vai começar por perceber o que me faz mal e ouvir, com ouvidos bem abertos, o que o meu íntimo me diz. Aquele que eu calei e que agora dava tudo para ouvir de novo. Calei, e com a sua voz foi a minha possibilidade de me recuperar, a minha esperança em dias melhores.

A luta é recuperar a Sofia. A que eu lembro, sem as novas modas de autoconhecimento ou melhorias, sem seguir linhas de raciocinio ou premissas da internet. Já só procuro quem sou, para que a partir daí eu possa voltar a fazer escolhas que se alinhem com o que me faz feliz.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.