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Miss Gemini's Blog

Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras... Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.

Miss Gemini's Blog

Um diário sem folhas, um desabar de tudo o que não tem mais lugar na cabeça. Devaneios e desabafos de uma geminiana tão diferente e tão igual a tantas outras... Sinto mais do que demonstro, sei mais do que aparento.

Nova visão

A morte traz nos sempre um sabor pesado e uma nova visão da vida.
Quiseram convencer-se que eu ganharia um gosto diferente pela vida, ou melhor, que o recuperasse porque sempre fez parte de mim viver! Nao so existir, mas viver!
Quiseram convencer-se de que ganharia medo da morte, que aproveitaria mais a vida por isso. Wrong!! Muito pelo contrario.
Perdi o medo da morte. Percebi que a vida nao vale nada e que pode acabar de um minuto para o outro. Percebi que nao preciso ter medo de morrer, não estarei ca para sofrer com a minha ausencia. Nao posso mais é viver com a minha falta. Isso é que mudou em mim com a morte a frente dos olhos.
Pensei em acabar com a minha vida, pior do que achar que nao tinha significado, foi quando se tornou insuportável a ideia de que amanha seria um novo dia.
Mas depois percebi, que se nao tinha coragem para acabar com a minha insignificante vida, então tinha que a viver o melhor possivel, e o mais eu possivel. Pior que morrer é ter vivido sem mim. Entao que o tempo que me resta seja à minha imagem. Com loucuras, vontades, experiencias, sorrisos e a dar largas a toda esta pancada que sempre reprimi mas que me faz genuinamente feliz. Tipo criança, sabes? Feliz por estar a fazer merda? A adrenalina la em cima com medo de ser apanhada? É assim que eu sou, verdadeiramente. E cortei-me as asas ao longo dos anos. Encolhi-me para me encaixar numa imagem mais socialmente aceitavel. Ela com as asas dela, recosturou-me as minhas. A morte trouxe-me a noção de que precisava mais de mim na minha vida.
Quanto tempo me resta? Nem quero saber. Agora quero parar de sobreviver. Quero viver.

Meses para ser feliz

O tempo vai passando e a leveza é trazida pelo sol da timida Primavera. A ideia de que a vida é linda, para ser vivida e aproveitada faz-se cada vez mais recorrente. 

E hoje teve um insight, que a levou a uma Sofia feliz, leve e descontraída.

Uma Sofia capaz de chegar à praia, apreciar o por do sol e entrar no mar quase nua. Uma Sofia plena de liberdade, sentimentos à flor da pele mas nenhuma mágoa ou expectativa. Uma Sofia feliz.

É essa, que sei que existe, que sinto a querer renascer, como se os proximos meses fossem para lhe dedicar, alimentar a sua loucura e ligar o botão do foda-se o que os outros querem ou pensam.

Tento arranjar argumentos para não ceder, mas a única verdade que me vem é que se passei toda a minha vida a abdicar do que queria em prol dos outros, porque não posso fazer o mesmo por uma parte de mim agora?

Vem 2020, carregado de lições, estes proximos meses são para nós!

 

S.

Que belo dia

Que dia lindo, sente o cheiro da primavera no ar. Acordou animada, entusiasmada. A luz a entrar por aqueles janelões enchiam-na de energia. Estava feliz. Ainda se questionou porque se sentia assim, tão leve, tão feliz, como se fosse viajar, como se algo de extraordinário a esperasse... mas teve receio de estragar o momento, então tirou daí o foco e simplesmente deixou-se ficar com aquele sentimento bom no peito. Pôs musica, enfiou-se na cozinha a fazer o café, e enquanto a água aquecia, olhou pela janela do 2° andar e deliciou-se com as copas verdinhas das árvores à sua volta. Tanta paz. Tão bom.

A casa estava limpa e arrumada, cheia de aromas bons e relaxantes. Poder andar descalça no chão de madeira morno faz-lhe bem. Volta à sala, o seu gatito de volta dela a dar-lhe os bons dias ainda a espantar o sono. Que momento relaxante. Agradece à vida, e a ela, por ter arrumado tudo o que tinha a arrumar, nas gavetas e na cabeça. Ainda não sabe o que vai fazer do dia mas não a incomoda. Agora está tão bom. Beberica o café, pensa na família, bate a saudade, e a certeza de ser amada em varios pontos do mundo. Sente-se grata.

Vem à varandinha de meio metro, as casinhas alinhadas à sua frente, as janelas que se vão abrindo e as vidas despertando lá fora. Continua descalça, e de pijama. Ainda nem a cara lavou. Lá vai ela, com o coração em paz, enfia-se na casa de banho pequena mas meticulosamente arrumada. Toma um duche morno, deixa a água levar o cansaço do trabalho, as saudades e sente algumas dores musculares do treino do dia anterior. Sente-se satisfeita por ter treinado. Agarra a toalha grossa e fofa.  Lava a cara, os dentes, e repara, quando se olha ao espelho, que vê brilho. Os labios levemente inchados, as olheiras impercetíveis, os cabelos molhados a cairem-lhe nos ombros. Maquilha-se. Ainda não sabe para quê mas apetece-lhe. Usa todo o tipo de produtos que tem, no cabelo, na cara, no corpo. Hidrata os pés. Sabe tão bem ter os pés macios. Fica de robe, não lhe apetece ir ja vestir-se.

O coração está leve. Não há expectativas, ansiedade ou preocupação. Não há pressa. Tira outro café, volta à varanda, senta-se no chão com o seu gatito ao colo e só pensa: que belo dia para estar de folga.

Dia da mãe, sem mãe

Estamos na tua esplanada preferida. O sol aquece-nos a pele, olhamos para o mar em silêncio. Não é estranho, nem desconfortável. É o silêncio de quem aprecia o cheiro do café acabado de tirar, as pessoas a conversar de sorrisos na cara, as crianças que brincam na areia ao nosso lado. É engraçado como o sol deixa todos mais dispostos. E ficamos ali, a saborear o momento, mais um momento nosso. Sei que gostas que te traga aqui, apesar de teres de enfrentar os olhares inconvenientes e os cochichos. Houve uma altura em que nada te tirava de casa, não estavas pronta. Hoje aceitas, e não deixas nada por viver pelo que os outros dizem ou fazem. És tão forte!

Estamos aqui e nada nos apetece fazer a não ser estar aqui. Apetece-te um gelado - gulosa - e eu levanto-me para o ir buscar. Tenho vontade de mandar toda a gente que te observa à merda, parece que hoje me custa mais a mim do que a ti.. que disparate.

Penso nestes momentos que tivémos a sorte de partilhar e aproveitar, e as saudades tiram-me o ar. As lágrimas vêm sem que as chame, é mais fácil passar pelos dias fingindo que não dói sempre. 

É dia da mãe, e eu perdi-te há 10 meses. É dia da mãe e dava tudo para te ter comigo outra vez. É dia da mãe e é estranho não ter a minha mãe comigo, não ter que correr a comprar algo à ultima da hora nem ter a quem telefonar cedo pela manhã para felicitar. Queria voltar a abraçar-te, sentir o teu perfume e o teu olhar orgulhoso quando aparecia toda arranjada e maquilhada. É o teu dia guerreira, e eu só quero acreditar que daí de cima consegues perceber o quanto te amo e o quanto me fazes falta.

A vida anda, passa por mim como um filme, continuo a sentir-me adormecida. É meio assustador. Sentir que deixei tudo nas mãos da vida. Não faço escolhas, não planeio, não faço renuncias. Deixo a vida decidir, deixo a vida acontecer. E isto não é nada meu... sou controladora, gosto de saber onde estou e para onde vou, planear, sonhar... mas esta foi a unica forma de conseguir não enlouquecer com a tua partida. Não espero nada da vida, não  espero nada de bom, nem estou preparada para nada de mau. Estou na corda bamba, há 10 meses. Mas estou a dar uma coça à depressão mãe, espero que consigas perceber isso. Pus as escolhas em pausa para me escolher a mim, cuidar de mim, fortalecer-me e chutar a depressão para canto! A parte assustadora é ter a sensação de que viver assim, à mercê, é mesmo agradável, e a vontade de voltar a tomar as rédeas da minha vida não parece querer aparecer. Mas como sempre, um dia de cada vez.

É dia da mãe, e fazes-me falta. Amanhã fará 10 meses que me deixaste, e fazes-me falta. Feliz dia mum.

Fortalecimento emocional

Se há algo que a depressão nos faz é encher a nossa memória das coisas mais dolorosas que já ouvimos, de forma a ocupar um espaço tão grande e tão escuro que nem nos lembramos mais das boas. 

E elas fazem-se presentes tanto tempo e com tamanha intensidade que nos esquecemos de tentar perceber quem somos, assumindo que somos o que pessoas que viram, de alguma forma e por algum motivo, a nossa pior versão, nos disseram. Assumimos que somos assim. Maus, incapazes, incompetentes, egoistas e que não merecemos nada. Os erros que já cometemos vêm-nos à ideia cada vez mais fortes, e ajudam a cimentar a ideia negativa que já temos a nosso respeito.

Esquecemos que todos erram e nós também 'temos direito'. Esquecemos que essas mesmas pessoas também têm coisas boas a dizer a nosso respeito. Estou certa que se perguntarem a alguém que vos maltratou qual a sua opinião a vosso respeito de forma geral, a pessoa irá salientar algo de positivo.

Esquecemos também que as opiniões dos outros mostram mais sobre eles do que sobre nós.

O que quero pedir-vos hoje - a quem está nesta luta como eu - é que tentem recordar-se de momentos onde foram elogiados, em que se sentiram felizes e reconhecidos, em que ouviram algo que vos surpreendeu e vos deixou um sorriso o resto do dia.

Façam essa lista. Percebam o que realmente são, os defeitos e as qualidades, os vossos valores... tirem tempo para se conhecerem. Assim conseguirão, para além de ser mais seguros e confiantes, lidar com situações futuras menos agradáveis sem que isso abale demasiado o vosso estado emocional.

Substituam, ressignifiquem essas crenças que se foram formando e fazendo morada numa mente, já por si, melindrada.

A nossa mente é constituída pelas nossas emoções, pensamentos e atitudes... quando fecham os olhos e a observam, vêm um lindo jardim florido e cheio de luz, amor e paz? Ou vêm um buraco negro e destruído? Onde querem viver? Há coisas que só dependem de nós, e cuidar da nossa mente é uma delas. Fortaleçam-se, porque a vida nunca ficará mais fácil. 

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